09/02/2018 às 09:50:58

O Vinho Tinto

O vinho tem origem milenar o que pode ser comprovado pela presença de sementes de uvas encontradas em cavernas paleolíticas habitadas pelo homem pré-histórico.

Muito possivelmente o homem primitivo deva ter observado a fermentação espontânea de uvas deixadas em algum recipiente por acaso. O fato é que ao experimentá-las, certamente se agradou! Mas houve a necessidade de surgir a agricultura há cerca de 7.000 anos, para que pudéssemos produzir mais deste néctar que tanto influenciou nossa história. A produção de vinho pode ter sido inclusive, um dos fatos que influenciaram a passagem do homem caçador e coletor, para o homem agricultor e civilizado.

Pesquisas arqueológicas sugerem que a videira começou a ser cultivada no Cáucaso e, pouco depois, na Mesopotâmia, por volta de 6000 a.C.. Os mais antigos vestígios de vinho foram localizados no atual Irã e datam do ano 3500 a.C.. No Egito, as evidências mais antigas datam de 3000 a.C.. A partir dessa época entram em cena os fenícios, povo navegador e comerciante que levou os vinhos e as vinhas do Egito para outras regiões, em especial a Grécia, onde chegaram em cerca de 2000 a.C.. Além do prazer gustativo, o vinho ainda iria desempenhar importante papel no desenvolvimento do pensamento e da filosofia na Grécia. Mas isso já é outra história. Um fato interessante já vem sendo observado há muitos anos na região do Mediterrâneo principalmente na França, onde as pessoas tendem a utilizar alimentos muito ricos em gorduras saturadas, tais como queijos, fígado de ganso, presuntos e outros alimentos gordurosos, além de fumarem bastante e serem sedentários. Ocorre que mesmo com estes tipos de hábitos, pessoas que vivem nesta região possuem baixa incidência de doenças cardíacas. Esta discrepância ficou conhecida como “Paradoxo do Mediterrâneo”, e já há algum tempo vem sendo relacionado ao uso do vinho tinto.

vinho tinto

Recentemente estudos vêm demonstrando que o vinho tinto reduz o risco de doenças cardíacas, protege contra disfunções neurológicas, aumenta a longevidade, possui poder anti-cancerígeno e pode até proteger fumantes contra os efeitos danosos do cigarro, seja um raro “Chateau Petrus” ou uma versão barata de mesa.

Demonstrou-se recentemente que o consumo moderado de etanol produz efeito cardioprotetor, principalmente pelo aumento nos níveis de HDL (high density lipoprotein) colesterol, fator de risco negativo para doenças cardiovasculares. O efeito protetor de níveis sangüíneos elevados de HDL colesterol, está associado com a habilidade dessas lipoproteínas, em remover o excesso de colesterol do plasma sangüíneo até o fígado, para serem sintetizados em suco biliar e posteriormente eliminados do organismo.

Ocorre que o professor Roger Corder e sua equipe, do Instituto de Pesquisa William Harvey, em St Bartholomew e da Universidade de Londres, descobriram que o vinho tinto, além de conter etanol, é rico em polifenóis ou compostos fenólicos, que estão presentes nas cascas e nas sementes das uvas vermelhas e comprovadamente possuem atividade antioxidante. No processamento de vinhos brancos, não há contato direto com a casca da uva, o que justifica a escolha pelo vinho tinto.

Os polifenóís trabalham sobre a produção de uma proteína, a endotelina-1, associada a doenças cardíacas, principal causa de morte em muitos países ocidentais. Os extratos de vinho tinto de fato inibem a síntese de endotelina-1, que faz com que os vasos sangüíneos se contraiam. Além disso, os polifenóis também inibem a formação de óxidos de colesterol, produtos da oxidação de LDL, um dos principais fatores desencadeantes da aterogênese. A agregação plaquetária, outro importante fator de risco para coronariopatias, é inibida pelo resveratrol e pelos flavonóides quercetina e catequina, compostos fenólicos presentes em vinhos tintos.
 

Outro estudo conduzido pelo doutor John Lekakis e seus colegas do Hospital da Universidade de Alexandra na Grécia, indica que a ingestão de vinho tinto diminui os danos arteriais causados pelo tabagismo.
Um total de 16 voluntários fumaram um cigarro antes de fazer um teste para medir o desempenho de suas artérias confirmando estudos anteriores, que mostram que fumar um cigarro reduz, durante uma hora, a habilidade das artérias de transportar sangue pelo corpo. Eles foram testados de novo após beberem dois cálices de vinho tinto e fumarem um cigarro, e novamente depois de beberem dois copos de vinho não-alcoólico e fumarem um cigarro. Entretanto, os efeitos negativos não foram constatados quando os voluntários beberam vinho tinto – alcoólico ou não-alcoólico – enquanto fumavam, indicando que um ingrediente presente no vinho tinto, que não é o álcool, seria o responsável pelo efeito protetor.

Entretanto os pesquisadores ressaltam que o consumo regular de vinho tinto não prova atenuar os danos promovidos pelo consumo crônico do fumo e também que não é nada sensato tomar dois copos de vinho tinto para cada cigarro que se fuma!
Muitos especialistas estão nesse momento tentando isolar os principais ingredientes presentes no vinho tinto, e com isso, eles esperam desenvolver drogas que protejam o organismo contra doenças cardíacas e o câncer, e que possam até prolongar a vida. Os dados preliminares indicam que as perspectivas são bastante promissoras.

Para culturistas essa bebida pode ser um grande adendo dietético. Ocorre que o etanol estimula a produção de óxido nítrico, um potente vasodilatador. Por isso é muito comum entre culturistas, a prática de ingerir um cálice de vinho tinto logo antes de subir ao palco.
O uso do vinho tinto principalmente pelo seu efeito cardio-protetor, é muito válido para aqueles indivíduos insistentes quanto ao uso de esteróides anabólicos, pois com o uso destas drogas, observa-se uma diminuição bastante acentuada nos níveis de HDL colesterol. Entretanto, o uso regular de vinho tinto ou de qualquer outro alimento com propriedades funcionais, não exclui os riscos que estes fármacos expõem seus usuários.

De acordo com diversos especialistas, parece que o consumo de uma ou duas taças de vinho tinto por dia, levando em conta uma boa absorção dos princípios ativos, seria bastante adequado.
Vale ressaltar que os efeitos acima mencionados são verificados quando realiza-se um consumo moderado de vinho tinto. Uma ingestão excessiva de bebidas alcoólicas, mesmo sendo por meio do vinho tinto, induz a inúmeros agravantes à saúde e não é indicada em hipótese alguma.

Principais compostos fenólicos presentes no vinho tinto

FLAVONÓIDES NÃO FLAVONÓIDES

1. L avonóis: quercetina, camferol e miricetina.
2. A ntocianinas: cianina, delfinina, peonina e malvina.
3. F lavan-3-óis: catequina, picatequina, galocatequina, procianidinas, taninos condensados
4. Á cidos benzóicos: ácido vanílico, ácido gálico, taninos hidrolizáveis.
5. B enzaldeídos: vanilina e siringaldeído.
6. Á cidos cinâmicos: ácido p-cumárico, ácido ferúlico, ácido clorogênico e ácido cafeico.
7. C inamaldeídos: coniferaldeído e sinapaldeído.
8 . T irosol
9 . R esveratrol

 

Fonte: http://www.hipertrofia.org/blog/2007/10/18/o-vinho-tinto/

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